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Eu tenho visto, cada vez mais freqüentemente, matérias jornalísticas abordando a importância do design, sobre como o design é valioso para as marcas, como ele ajuda a diferenciá-las ou como ele vem sendo usado como argumento de venda de produtos. A longa evolução das espécies baseia-se na capacidade da vida reagir diante dos impactos do meio ambiente. Os organismos reagem aos estímulos exteriores e se modificam, adaptando-se às contínuas realidades evolutivas. O ser humano é a única criatura viva capaz de, além de reagir, transcender às reações. Somos capazes de imaginar e inventar, de vivenciar nossos sonhos e desejos, projetando objetivos de vida, criando projetos que se tornam materiais. Somos capazes de contar histórias, representar e criar símbolos. Quando um pequeno hominídeo, há dois milhões de anos, deu forma à uma pedra lascada para cortar e retirar alimento das entranhas dos animais mortos, ele estava praticando design e iniciando uma dieta que iria aumentar consideravelmente o seu porte e o seu cérebro. O design ganhou nome e uma primeira organização metodológica a partir da Bauhaus, antes da Segunda Grande Guerra. Até lá, era uma criativa e espontânea capacidade humana. A partir da escola fundada por Gropius, com ênfase nas equipes colaborativas, o design floresceu e semeou o mundo dos negócios. Hoje, todas as "coisas" de valor têm design na sua origem. Podemos dizer que o design se "coisificou". Existe design de toda e qualquer coisa, chegando até ao nível do sagrado, quando se fundou o conceito do "design inteligente", uma forma de explicar a criação por meio de um designer supremo inteligente. Porém, o design foi inicialmente elaborado como um processo experimental de pensar, agir e tornar tangível uma solução para os problemas efervescentes de uma época plena de inéditas transformações radicais. O design, assim como a inovação, é um processo. Quando esse processo dá certo, o design é confundido com o seu resultado. A rápida difusão do design no hemisfério Norte fez com que ele se identificasse com o objeto tangível, com o objetivo da sua intenção. Nesse movimento, em direção ao objeto-alvo do seu desígnio, o design foi sendo afastado das decisões estratégicas e ficando mais perto da forma final do projeto até se transformar em um atraente argumento de venda de qualquer coisa. Em 1969, um gênio polivalente e premiado pelo Nobel, Herbert Alexander Simon, lançou as bases da inteligência artificial no livro "The sciences of the artificial", no qual ele percebe que as disciplinas humanas, tais como a engenharia, a medicina, a arquitetura, a pintura ou os negócios, estão relacionadas com a contingência, com o possível, não com o necessário. Em outras palavras, estão relacionadas não com como as coisas são, mas com como elas podem ser. Em resumo, com o design. Em 1991, a minha empresa Animus estava diante de um mercado que costumava usar o design como uma ferramenta decoradora ao final de um processo de marketing. Poucos clientes entendiam ou aceitavam a idéia de que um designer poderia integrar uma equipe estratégica. Então, depois de conquistar a confiança do nosso maior cliente, uma multinacional norte-americana, a Animus foi convidada para participar do seu planejamento estratégico anual. A partir de então, ao invés de agir no final de um processo produtivo, a Animus estava inserida desde o início da intenção do negócio em uma estrutura que conseguia aprender durante o processo de investigar-diagnosticar-solucionar-implantar. Hoje, os acadêmicos já geraram montanhas de defesas ao design thinking, uma forma de pensamento através do design que ajuda na tomada de decisões e na construção de um futuro intencionalmente melhorado. Como os universos acadêmico e de negócios perceberam, o design thinking vem sendo uma atitude e um processo para a construção de um novo futuro cada vez mais inovador, sustentável e consciente. Com uma grande perspectiva de transformação da sociedade, ele pode ser praticado por qualquer um, democraticamente, como uma forma de melhorar a nossa vida diária. Portanto, vida longa ao design thinking e ao seu valor estratégico para as empresas e para a sociedade. Rique Nitzsche, design thinker, professor de Design Estratégico na pós-graduação da ESPM e diretor de criação da Animus, estratégia, design e inovação. Comentários
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